Governo falha execução do Plano Floresta 2050: fundos do PRR em risco
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Governo falha execução do Plano Floresta 2050: fundos do PRR em risco

Relatório da AGIF revela que apenas 27% dos 615 milhões anunciados estão efetivamente a intervencionar no terreno

29 de junho de 2026· Por Redação

O Governo está a falhar na execução do Plano Floresta 2050, com consequências já consideradas irremediáveis por especialistas do setor. Anunciado pelo primeiro-ministro Luís Montenegro em março de 2025, o programa prevê 19 medidas, 154 ações e um investimento médio anual de 250 milhões de euros.

Fundos do PRR por gastar

Em julho de 2021, na Pampilhosa da Serra, o então primeiro-ministro António Costa anunciou 615 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para "criar uma nova paisagem" florestal. No entanto, o último relatório da Agência Integrada dos Fogos Rurais (AGIF) revela que só foram aprovados 166 milhões do PRR para Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP) "efetivamente a intervencionar" — apenas 27% dos 615 milhões anunciados.

Esta verba poderá ser perdida, uma vez que o PRR tem de ser executado até ao final de 2026. "Demorámos 3 anos na parte burocrática e agora não vamos ter tempo", lamenta Luís Damas, da Federação Nacional das Associações dos Produtores Florestais.

Programa Floresta Ativa sem verba no terreno

O programa Floresta Ativa prometia financiar os proprietários em 650€ por hectare para limparem 40 mil hectares de floresta por ano. No entanto, em 2025 só foram aprovadas candidaturas para cerca de 5 mil hectares, e o dinheiro do Fundo Ambiental ainda não chegou a quem precisava.

"Não está a ser executado", denuncia Carlos Duarte, presidente da Florestis, que agrega 37 associações de produtores florestais.

1,3 milhões de hectares ardidos desde 2015

Segundo a contabilidade da Florestis, desde 2015 arderam em Portugal 1,3 milhões de hectares de floresta, tendo-se conseguido reflorestar apenas 30 mil hectares com fundos comunitários.

Os relatórios da AGIF confirmam que "sem gerir ativamente o pós-fogo, nomeadamente o de 2017, deixámos acumular nos últimos seis anos vegetação fina, com potencial para arder de forma mais severa e propagar incêndios de grande dimensão".

Artigo original publicado em Jornal SOL.

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